domingo, 20 de março de 2016

A Próxima Dança

Aningas, 20/03/16 as 04:30 pm
Era uma reunião simples de família, porem a alegria era presença constante naquela casa. Qualquer motivo era um pretexto para uma festa com direitos a muitos comes e bebes e momentos de afeto.
A festa havia começado há horas, os álbuns de família já tinham sido folheados todos. Cada um dos membros da família tinha compartilhado um momento de felicidade que já vivera na companhia um do outro. Isso significava muito riso, algazarra o que não era novidade em se tratando de uma grande família. Quando do nada, se fez silencio e todos se depararam com a presença de uma estranha senhora.
Ela adentrou casa adentro sem ser convidada, não bateu na porta e muito menos palmas. É uma daquelas visitas indesejadas que vai logo se instalando. Sua presença deixou o ar pesado e o ambiente sem graça, à dona da casa não aguentou tamanha audácia e retirou-se. E ela continuou na casa, oh visita inconveniente. Por mais que os donos da casa se mostrem cortês e finjam não ligar para os seus aborrecimentos, ela se impõe e deseja ser o centro das atenções. De tanto causar aborrecimentos, o primogênito não aguentou mais e deu o braço a torcer, também foi embora. Como dizem “os incomodados que se retirem”.
A vontade dela é desposar o dono da casa. Convidou-o para a próxima dança.  Os quais dançam em um ritmo não ensaiado. Ele tenta escapar de seu abraço, se esgueira, tenta se afastar, mas ela estar coladinha nele. Em um corpo a corpo desengonçado, ela tenta conduzi-lo pelo salão. Ele assume o controle e a conduz, seduzindo-a em rodopios e viravoltas, consegue se desvencilhar dela. Ela o alcança pelo braço e torna o abraça-lo com força, os rostos emparelhados, a respiração em uníssono, os olhos se encontram, os lábios quase colados ensaiam um beijo e quando ela vai finalizar o seu desejo. Ele vira o rosto, a empurra e esbraveja: “Fora da minha casa D. Morte, você não é bem vinda nessa casa”.
Ela se recolhe a sua insignificância, em um canto da casa chora e lamenta o insucesso do seu plano. Contundo não se afasta da família, fica a espreita e ronda a residência a espera de um novo momento para executar a sua árdua tarefa.
Ela vai aguardar um bom tempo ainda, até que o Dono de todas as coisas determine que o último suspiro de vida daquele que ela tanto namora seja consumado. Enquanto isso não acontece, faremos novas festas e novas reuniões familiares, porque o amor e a fé são mais fortes que as vontades do inimigo.
























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