Meu querido irmão Antônio
(meu Marram)
Falar de você não é tão simples
quanto parece. Você foi uma pessoa singular, sem grandes feitos, entretanto sua
convivência entre nós deixou-nos sábios aprendizados.
Alguns acreditam que para deixarem
sua marca é preciso aparecer ou realizar algo como: escrever um livro,
participar de um fato histórico ou se tornar famoso. Coisas que você não tinha
nem noção, mas sabia claramente o que queria bem com também o que não queria.
Você simplesmente “foi”, ou seja,
viveu sem muitas inquietações ou angustias e apreciava o básico. Sempre que
tomar café lembrar-me-ei de você.
Tinha um jeito peculiar de
lembrar-se das pessoas, podia passar o tempo que passasse. Você reconhecia a
voz, a cordialidade e o encanto eram o mesmo do primeiro encontro. Sorriso na
voz e aperto de mão era obrigatório, gestos tão simples que podem transformar
um dia de alguém e acabam passando despercebidos por nós.
O ser humano é conhecido por sua
habilidade de se descontentar, estar sempre trocando as coisas pelo que julga
ser melhor ou mais atual. Troca até de amores... Mas, você em sua simplicidade
só desejava um par de sapatos e ficar sentado na calçada. Perto de você me
sentia criança outra vez e juntos cantávamos: “lagarta pintada quem foi que
pintou?...” riamos bastante e nada mais importava. Se os adultos não matassem
suas crianças interiores e não quisessem achar as respostas antes de fazerem as
perguntas, o mundo não seria tão sem graça.
Agora você não estar mais aqui e eu
vou precisar brincar com outras pessoas que se encantem com a inutilidade das
coisas e se permitam serem elas mesmo, sem máscaras ou se incomodem com o
pensamento dos outros.
Infelizmente seu trem chegou e não
tem como evitar essa viagem, na plataforma de embarque eu fico triste. Mas te
deixo ir, sem remorsos e nem arrependimentos. Vá meu irmão, divirta-se e ensine
outras pessoas.
Um beijo do irmão que te amou
bastante.

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